“ A sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte da liberdade em nosso usufruto deste mundo” (Michel Foucault).
A sexualidade faz parte do processo de desenvolvimento do ser humano, por isso a necessidade de se abordar esse assunto com os alunos, uma vez que dessa forma estaremos contruibuindo para a formação de pessoas consciêntes e responsáveis.
A família na maioria das vezes tem um grande temor ao abordar esse tema com as crianças, porém as mesmas necessitam de informações corretas a esse assunto, e daí o papel da escola, para auxiliar nesse processo.
"(...) E quem são, afinal os responsáveis por uma educação sexual que permita uma visão consciente da sexualidade (...) claro que os primeiros e principais responsáveis são os pais (...) E quem são os adultos que, pelo menos em tese, deveriam aliar-se aos pais nessa difícil tarefa de educar? Os professores, claro! " (Rosely Sayão)
Freud, foi o primeiro a estudar a sexualidade das crianças, e nos mostrar que nessa fase já existem instintos, e não somente é iniciada na puberdade, como todos estudiosos antes afirmavam.
Segundo Freud existem várias fazes da sexualidade. A escola por sua vez deve estar atenta e informada sobre essas fases da construção da sexualidade que nos fala Freud.
Ao observar, essas transformações nas crianças, professores não devem ficar apavorados, nem reprimi-los, deve-se permitir com cautela para que não haja excessos.
Para isso o professor deve estar sempre atento, reflexivo e sempre pesquisando sobre o assunto.
O corpo é a matriz da sexualidade pois segundo Freud desde muito sedo a criança já começa a despertar para a sexualidade, com suas curiosidades e etc, vejamos as fases que Freude cita:
A libido envolve do nascimento à puberdade, períodos de gradativa diferenciação sexual. A primeira fase é chamada de período inicial, onde a libido está direcionada para o próprio corpo, oral e analmente. A segunda fase, o período edipiano, que se caracteriza por uma fixação libidinal passageira entre os 4 e os 5 anos, também conhecida como "complexo de Édipo", pelo qual a libido, já dirigida aos objetos do mundo exterior, fixa a sua atenção no genitor do sexo oposto, num sentido evidentemente incestuoso. Por fim o período de latência, iniciado logo após a fase edipiana, só irá terminar com a puberdade, quando então a libido toma direção sexual definida.(retirado de www.culturabrasil.pro.br/freud.htm)
O porque de não reprimir? Pois a sexualidade também faz parte da construção do conhecimento de cada aluno, levando em conta que cada um irá ter o seu momento, alguns mais cedo outros bem mais tarde, isso também deve ser respeitado.
É necessario que quando um aluno tenha alguma curiosidade e faça uma pergunta ao seu professor, que esse educador não minta ou omita informações a essa criança, buscando conversar com ela de uma meneira adequada a sua idade e seu conhecimento empírico.
A vulnerabilidade é aqui entendida como o ‘conjunto de fatores de natureza biológica, epidemiológica, social e cultural cuja interação amplia aou reduz o risco aou a proteção de uma pessoa ou população frente a uma determinada doença, condição ou dano. A falta de acesso ou ações e serviços de saúde e educação é considerado um fator ‘programático” de ampliação de vulnerabilidade” (MS/CN-DST/AIDS). A vulnerabilidade pode agregar diversas dimensões: a individual, que se relaciona aos comportamento adotados pelo indivíduo e que pode favorecer oportunidade de se infectar, como por exemplo o não uso de preservativos, a social que implica questões econômicas e sociais que influenciam no aumento da violencia sexual, prostituição e tráfico de drogas; a institucional, que se relaciona á ausência de políticas públicas que tenham por objetivo controle da epidemia em populações e/ou localidades. (MINISTÉRIO DA SAÚDE).
A falta de informação correta pode acarretar em contágios, em discriminação sexual, violência sexual e gravidez indesejadas e ainda em prostituição e tráfico de crianças a prática da prostituição.
Portanto a informação e a revenção são as melhores alternativas, previnir é protejer.
Fizemos a mesma pergunta a duas professoras, ambas atuantes nos anos inciais do ensino fundamental em uma escola particular da zona central de Rondonópolis:
Qual a maior dificuladade em se falar de sexualidade com crianças da faixa etária que vocês trabalham?
A professora “D” respondeu que por mais que estejamos vivendo em um mundo mais aberto, a maior dificuldade ainda são os pais, pois alguns permitem informações em demasia para alguns e outros nenhuma informação simplismente não respondem as pergutas das crianças.
Quando todas estão em sala e surge algum questionamento, percebo que alguns sabem demais e outros ainda são muito inoscentes ou até mesmo tem informações mentirosas a respeito desse assunto.
Nesse momento procuro fazer um momento para conversarmos e esclarecer algumas dúvidas, tudo isso com muita cautela.
A professora “J”, respondeu que o que mais dificulta em relação a sexualidade, talvez seja as informações erradas que muitas crianças recebem em casa, como por exemplo, “a segonha”, isso traz muita confusão para a cabeça das crianças.
Tive ainda um aluno que certa vez, me perguntou porque o pai dele tem uma boneca grande de plástico e com a boca aberta e disse ainda que o nome de era Pithulla, foi muito difícil esclarecer algumas dúvidas daquela criança, e precisamos chamar seus pais na escola, o pai disse ainda que a criança por um descuido entrou no quarto no momento que a boneca esta ali e eles tentaram contornar, porém a criança acabou ficando mais confusa, então solicitamos uma psicologa especializada em crianças para nos auxiliar.
Alguns fatos que ocorrem em casa as crianças trazem para escola, por isso procuro sempre estar preparada para um momento desses, tenho algumas colegas que atuam em escolas na periferia e algumas delas me relatam que a realidade nesses locais é bem mais dura.
Perguntamos ainda como as professoras tratam com seus alunos sobre doenças sexualmente transmissiveis e a gravidez ainda na infância ou adolescência?
A professora “J”, respondeu que outro dia um de seus alunos chegou perguntando como que se pegava Aids, se essa doença era decorrente da poeira.
Tive que me sobresair e responder que não, que era transmissivel por contato direto de sangue, e fui explicando.
A respeito da gravidez na adolescência ou infância procuro mostrar a eles que isso é uma responsabilidade muito grande e que não é coisa para criança, que nenem, chora, fica doente, tem fome e é muito difícil de cuidar que não é uma boneca e sim uma vida. Com Frequência são feitas rodas de conversas onde procuro deixa-los o mais a vontade possível, para perguntarem sem medo e conto ainda com o auxílio da mídia que sempre divulga casos de meninas grávidas muito cedo, quando não tenho uma resposta para alguma pergunta, não os deixo assim sem saber, digo que vou pesquisar e que na próxima aula eu trago a resposta, e se prometo que vou trazer a resposta trago mesmo, não os deixo esperando.
A professora “D” respondeu: Procuro não mentir quando um aluno faz algum questionamento, por mais difícil que seja a resposta ou “pesada” para sua idade, procuro responder de forma leve, mas sem mentiras, o pior que podemos fazer com nossas crianças e contar a eles metiras sobre a sexualidade ou faze-los sentir vergonha disso, pois acabarão descobrindo tudo por si só e de maneiras muito difíceis e duras, que poderão mudar suas vidas para sempre.
Sobre a gravidez ainda na adolescência, temos vários recursos, até mesmo por parte da secretaria de saúde, porém devemos relacionar com cuidado oque iremos trabalhar por conta da idade das crianças, isso necessita muita cautela, pois não precisamos oprimir nossas crianças mas também devemos medir o que iremos usar, devemos mediar as infomações, para que cheguem aos nossos alunos de forma que não seja traumático.
Através dessas pesquisas de campo e bibliografica, ficou claro para nosso grupo o quanto é importante, conversar com as crianças sobre a sexualidade sem medos sem mentiras, mostrando que o caminho da preveção é o melhor a ser percorrido, aliando boas estratégias e um pouco de paciência e carinho, fica mais fácil tratar sobre esse assunto que até hoje ainda causa muitas polêmicas.
Muitas vezes a sexualidade é vista com vergonha e medo, sendo que é uma coisa tão natural ao homem, pois está presente desde o início de sua vida.
Referencias:
BRENNER, C. Noções básicas de Psicanálise: Introdução à Psicologia Psicanalítica.Rio de Janeiro:Imago.1987.
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